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Notas FPA Política e opinião pública 45

15/mar/2017
Ano 2 - nº 45 - 15 de março de 2017

Lula diz ser vítima de massacre midiático

Na terça feira, 14 de março, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs na 10º Vara Federal, em Brasília. Lula chegou pouco depois das dez horas, acompanhado de seus advogados e assessores. Essa é a primeira vez que Lula é ouvido na condição de réu, desde o início da Operação ava Jato, em 2014. Em depoimento que durou cerca de cinquenta minutos, Lula disse que há mais de três anos tem sido vítima de um massacre da imprensa, que o acusa e ameaça de que alguém irá delatá-lo na Lava Jato e ele será preso.

No processo, Lula é acusado de tentativa de obstrução da Justiça, por tentativa de impedir a delação e Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras. Segundo a denúncia do MPF, Cerveró sabia de recursos desviados de um contrato da Petrobras com o Banco Schahin, usados para pagar empréstimo contraído pelo pecuarista José Carlos Bumlai para financiar o PT.

Lula afirmou que não tinha relações com Cerveró, apenas o conhecia por participar de reuniões com ele e, portanto, não tinha nenhum interesse em indicá-lo para a presidência da estatal, essa foi uma indicação do PMDB. Negou atuar para manter o silêncio do ex-diretor da Petrobras na Lava Jato. Segundo ele, quem temia o depoimento de Cerveró era o ex-senador Delcídio do Amaral, réu no mesmo processo, acusado de tramar a fuga de Cerveró do Brasil. Lula disse que nunca falou sobre a situação de Cerveró com o ex-senador e que ele mentiu ao tentar incriminá-lo em sua delação, buscando atenuar sua pena. Cerveró também falou no processo, e igualmente desmentiu Delcídio do Amaral: “Nunca foi mencionado nada do Lula comigo”.

Em relação a José Carlos Bumlai, Lula afirmou que é seu amigo pessoal e compadre, mas nunca discutiu negócios pessoais com ele e que não sabia de empréstimo feito por Bumlai, ou contratos da Petrobras com a Schahin. Na Justiça, Bumlai também negou interesse em retardar a delação de Cerveró e confirmou que o ex-presidente nunca lhe pediu nada nesse sentido. “Eu nunca tratei de nenhum tipo de negócio ou acordos com o Lula. Tenho com ele uma relação pessoal e de respeito profissional, e é só”.

Lula foi o último réu a depor nesse processo, de todas as testemunhas e acusados ouvidos, nenhuma corroborou com a acusação de Delcídio. No acordo de delação premiada de Cerveró, Lula não foi citado nenhuma vez, enquanto Delcídio, sim, foi citado.

Durante a audiência Lula defendeu o legado do seu governo e do PT, afirmou que a acusação de que o PT é uma organização criminosa o ofende “profundamente”, que o PT é o partido que mais trabalhou para o fortalecimento das instituições, entre elas a Polícia Federal, e que nenhum outro governo fez tanto pelo combate à corrupção quanto as gestões petistas. Disse que não há nenhum político ou empresário que possa dizer que recebeu ou pediu um real a ele e ninguém poderia apontar nenhum ato ilegal praticado por ele.

O ex-presidente disse que quer que a Operação Lava Jato "vá fundo", que quer a verdade e tem todo interesse em esclarecer as denúncias sobre ele e que o processo vai provar sua inocência. No final do depoimento, Lula disse estar cansado de ser acusado e exigiu provas. "Estou cansado de ver um procurador dizer que não tem provas, mas tem convicção, e ver juiz dizendo que vai votar com fé. Quero provas!"

* As opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade de sua autora,
não representando necessariamente a visão da FPA ou de seus dirigentes.

 
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