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Não foi desta vez que a extrema direita venceu na Holanda

17/mar/2017

Por Luana Forlini

As eleições parlamentares da Holanda, realizadas no dia 15 de março, terminaram com a vitória do atual primeiro-ministro conservador Mark Rutte do Partido Liberal e Democrata (VVD) com 21,4% dos votos e 33 cadeiras no Parlamento. O segundo lugar ficou com o candidato da extrema direita e de retórica xenofóbica e anti-muçulmana mais forte da Europa, Geert Wilders, do Partido Para a Liberdade (PVV), com 13,1% dos votos e 20 cadeiras.

Uma das características marcantes do processo eleitoral holandês neste novo século é a pulverização dos partidos políticos e dos votos nos partidos. Desta vez, 28 partidos concorreram e entre treze e quinze deles deverão conquistar assentos no Parlamento a partir do anúncio oficial do resultado, previsto para ocorrer no dia 21 de março. Nas eleições de 2012, o VVD vencedor obteve 26,6% dos votos e 41 cadeiras e o PvdA (Socialdemocratas) ficou em segundo lugar, com 24,8% dos votos e 38 cadeiras. Estes dois partidos, apesar de suas históricas diferenças políticas, pelo menos na aparência, compuseram o governo com uma representação de 51,4% dos votos e 79 parlamentares. O mínimo necessário era 76 cadeiras, pois o Parlamento na Holanda é composto por 150 cadeiras.

Desta vez, Mark Rutte terá que compor o governo com três ou até cinco partidos para garantir 76 votos no Parlamento, mas dificilmente o PvdA estará entre eles, pois os socialdemocratas foram duramente punidos pelo seu eleitorado, provavelmente devido à composição que fizeram com o conservador VVD em 2012. Com isso, sua votação caiu para 5,7% e apenas nove cadeiras.

Durante a campanha eleitoral, Rutte afirmava que não faria parte de um governo do PVV, mas não disse que não negociaria com a extrema direita para fazer parte de um governo seu. Como aliás ocorreu quando o VVD em 2010, pela primeira vez desde a década de 1920 foi o partido mais votado e contou com o apoio do PVV no Parlamento, embora este não viesse a fazer parte do governo. Além da possibilidade de repetir o feito, o Partido Democrata Cristão e o liberal “Democratas 66” também são sérios candidatos a compor o governo com o VVD, já que ambos receberam 12,5% dos votos e 19 cadeiras cada um.
 
No campo da esquerda, os socialdemocratas correm o risco de serem riscados do mapa, como já aconteceu na Grécia e o Partido Socialista mantém seu percentual de aproximadamente 9% dos votos. Entretanto, desta vez um partido que pode se considerar vitorioso, é o “Verde de Esquerda” (GL) que passou de 2,3% dos votos e quatro parlamentares em 2012 para 8,9% dos votos e 14 parlamentares com um discurso em defesa de princípios como os direitos dos imigrantes, a integração europeia, a questão ambiental e o estado de bem-estar social.

Por outro lado, o PVV melhorou sua performance em comparação com a eleição passada com 13,1% dos votos contra 10,1% em 2012 e passando de quinze para vinte cadeiras, o que não representa exatamente uma derrota, mesmo que as pesquisas apontassem sua vitória, pois essa hipótese, na prática, não lhe permitiria governar por falta de aliados para compor o governo.

A corrida eleitoral na Holanda foi a primeira de outras duas que deverão medir a força atual do populismo de extrema direita na Europa. Em abril teremos o pleito na França e, em setembro, na Alemanha. E, compartilhando das ideias do PVV como a saída da União Europeia, combate à imigração e promoção da islamofobia, há a Frente Nacional no primeiro e a Alternativa para a Alemanha no segundo. Entretanto, devemos ressaltar que Mark Rutte também tem propostas duras em relação à imigração e sugeriu proibir o uso do véu de rosto em público.
 
Luana Forlini é estagiária de Relações Internacionais da Fundação Perseu Abramo


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