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A espera por Lula e Dilma

18/mar/2017

Texto de Otavio Antunes.
Imagens de Felipe Kfouri e Sérgio Silva.

– Posso mandar um recado pra Lula? Vem Titio! Vem Mamãe! – referindo-se a Dilma – Pra gente encher vocês de abraços.

É desse jeito que “Doutor”, apelido de Alfredo Alves Pontiero, ao perceber as câmeras, dirige-se a nossa equipe, na cidade de Monteiro (PB), que recebeu um trecho da transposição do Rio São Francisco. E ele não é o único a falar de forma carinhosa dos ex-presidentes. Percorremos o trajeto entre João Pessoa e Monteiro, 311 km, devagar, ouvindo as pessoas sobre o País, o estado, e principalmente a região.


"Doutor" ou Alfredo Alves Pontiero. 

Existe um sentimento genuíno e comovente de gratidão a Lula e Dilma. Há pouco mais 55 km de João Pessoa, paramos na cidade de Sobrado, em uma barraca na beira da estrada. Tomamos água de cocô e ouvimos a história do Senhor Marcos Vinicius Trigueiro Barbosa e Silva.

– Criei, ali mesmo – aponta para uma casa de teto vermelhinho e cercado por um lindo pomar – toda minha família. Meus irmãos são daqui também. Só não está conosco o meu filho, que mora em João Pessoa, onde faz o curso de engenharia na Federal. Quem ia imaginar que ficaria mais fácil fazer uma faculdade, né? Meu filho vai ser engenheiro! – relata orgulhoso.


Marcos Vinicius Trigueiro Barbosa e Silva.

E não é nem preciso perguntar o que mudou nos últimos anos para que ele diga:

– Lula, meu filho. Foi Lula, o nosso presidente. Nunca ninguém tinha cuidado da gente desse jeito. Foi tanta coisa. Educação, Bolsa Família, emprego melhorou muito... agora piorou de novo, né? E essa maravilha da água, que ninguém acreditou nele quando disse que ia trazer. Daqui vai sair muita caravana pra Monteiro. O povo vai tudo lá agradecer o Lula.

A cada quilometro distante de João Pessoa a paisagem vai ficando um pouco mais árida. Não demora até começarmos a cruzar com rios completamente secos no trajeto, como o Riacho Caboclo. Em mais algumas paradas, descobrimos que o povo sertanejo não reclama da seca e da natureza. Ao contrário: aceita resignado o clima da região.

– Não se luta contra a falta de chuva. A natureza tem o tempo dela. A gente tem é que ter inteligência para viver bem entre as chuvas. É difícil. Muito difícil! Mas agora a gente tem cisterna, caixa, poço; antes era ainda mais difícil. Faz sete anos que não chove direito aqui. Sete anos! E nós estamos firmes, porque ainda tem o seguro safra. Foi a melhor coisa que Lula fez, porque a gente planta e lida na terra com muito carinho, mas as vezes não chove. E antes a gente perdia tudo quando isso acontecia. Agora estamos protegidos – Relata Roberto Gomes.


Roberto Gomes (dir) e Cícero (esq).

Chegando em Monteiro, a primeira coisa que avistamos é o Rio Paraíba. Mas este é um rio diferente: uma estrutura de concreto contrasta com as margens verdinhas do leito. Crianças e adolescentes mergulham e fazem piruetas em um ritmo frenético, para depois subirem rapidamente uma rampa improvisada e mergulharem novamente. Tudo sob o olhar atento de curiosos que aplaudem e sorriem a cada mergulho. A cada salto, alguém mais velho alerta:

– Cuidado, menino! Do lado de lá é pedra e aqui tem muito ferro – referindo-se aos limites do poço artificial que se formou no ponto de encontro entre o Rio e a estrutura da transposição. 

Ligamos as câmeras e novamente as pessoas se aproximam para falar.

– Nem dormi direito nesses dias. Fiz bandeira, camiseta e tô preparado pra receber Lula e Dilma. Vem que vou te abraçar com minhas mãos e meus pés Lula – diz um sorridente Lucivanio Sousa Santos, ou Vaninho, como seus amigos o chamam.

O personagem inicial da nossa matéria, o “Doutor” Alfredo, ainda emenda um convite simbólico e cheio de significados a Lula:

– Titio! Venha, Titio, comer bode mais nós e toma uma mais nós, com limão e um bodinho. Pirão de peixe! Estamos esperando, Titio, com os braços abertos. Venha morar em Monteiro mais a gente! Quem matou a fome dos pobres foi titio Lula, não foi outro não. Primeiro Deus, depois Titio. Matou a fome dos pobres, a sede dos pobres, foi Titio. Se não fosse Titio, os pobres estavam lascados, não tinha mais pobre vivo não.

A cidade respira a visita. É o grande assunto em todas as rodas de conversa. Lula e Dilma terão, certamente, uma calorosa e acolhedora recepção.


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